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A ciência tem dado asas para a ficção e em
nosso caso esta ficção se converteu em teatro. Utilizando
o humor como elemento relativizador do pensamento lógico
e como força destruidora do sentido comum, Perdida... propõe
uma inusitada experiência cênica, um jogo que provoca
o espectador não para conduzi-lo a uma realidade
fantástica senão, muito pelo contrário, confrontá-lo
com estas dimensões propostas pela ciência.
O choque entre uma doutora em física de uma universidade
americana (Flávia Pucci) e a realidade encarnada
pela figura do segundo vice-secretário de um clube de divulgação
cultural de uma pequena cidade (Oswaldo Mendes) nos coloca
em um cotidiano que, apenas estabelecido, começa a despedaçar-se.
Aparece um terceiro personagem, um turista (Carlos Palma), afirmando
estar em Praga; a doutora, inesperadamente afirma estar nos Apalaches.
Eles se encontram em um mundo de coordenadas enlouquecidas, possível,
mas pouco provável. Repentinamente, a cientista desnorteada
passa a vivenciar as manifestações sobre as quais
teorizava: Os Paradoxos do Espaço e do Tempo.
Um jogo cômico onde a platéia deve ficar atenta para
não embarcar apenas na realidade do segundo vice-secretário;
a doutora e o turista é que realizam o "salto quântico"
e alteram suas "órbitas" mas é
o ocioso turista quem enxerga o fenômeno do espaço-tempo
, eles se fundem num beijo (para ilustrar a fusão
diz o autor), ocupam dois lugares ao mesmo tempo e finalmente,
a realidade, a "de verdade", volta a cena como sempre
PRÊMIO
SHELL 2002 (indicado)
MELHOR ATOR Oswaldo Mendes
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