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A ciência tem dado asas para a ficção e em nosso caso esta ficção se converteu em teatro. Utilizando o humor como elemento relativizador do pensamento lógico e como força destruidora do sentido comum, Perdida... propõe uma inusitada experiência cênica, um jogo que provoca o espectador — não para conduzi-lo a uma realidade fantástica senão, muito pelo contrário, confrontá-lo com estas dimensões propostas pela ciência.
O choque entre uma doutora em física de uma universidade americana (Flávia Pucci) e a realidade — encarnada pela figura do segundo vice-secretário de um clube de divulgação cultural de uma pequena cidade (Oswaldo Mendes) — nos coloca em um cotidiano que, apenas estabelecido, começa a despedaçar-se. Aparece um terceiro personagem, um turista (Carlos Palma), afirmando estar em Praga; a doutora, inesperadamente afirma estar nos Apalaches. Eles se encontram em um mundo de coordenadas enlouquecidas, possível, mas pouco provável. Repentinamente, a cientista desnorteada passa a vivenciar as manifestações sobre as quais teorizava: Os Paradoxos do Espaço e do Tempo.
Um jogo cômico onde a platéia deve ficar atenta para não embarcar apenas na realidade do segundo vice-secretário; a doutora e o turista é que realizam o "salto quântico" e alteram suas "órbitas" — mas é o ocioso turista quem enxerga o fenômeno do espaço-tempo —, eles se fundem num beijo (para ilustrar a fusão diz o autor), ocupam dois lugares ao mesmo tempo e finalmente, a realidade, a "de verdade", volta a cena como sempre…

PRÊMIO SHELL 2002 (indicado)
MELHOR ATOR Oswaldo Mendes

Ficha T écnica
de José Sanchis Sinisterra
tradução Cristiane Jatahy
direção Marco Antônio Braz
com
Flavia Pucci
Oswaldo Mendes
Carlos Palma
cenário e figurino Adriana Carui e Carlos Palma
criação de luz PH
trilha sonora Sérgio Yamamoto
assistente de direção Adriana Dham
assistente de luz Paulo Jordão
assistente de cenário e contra-regra Anselmo Alves
produção Núcleo ACP
assistente de produção Paulo Alvarenga
comunicação e administração ACPalma

Duração: 90 minutos
Recomendado para maiores de 14 anos

  • O que aconteceria com nossa vida cotidiana se o tempo não seguisse normalmente seu curso e o espaço não fosse sempre tão perceptível, se ao mesmo tempo estivéssemos aqui e agora e em Praga nos anos 40?
    Estamos nos permitindo imaginar o que a Ciência propõe. A teoria da relatividade e a física quântica oferecem noções de espaço e de tempo que não correspondem à nossa experiência "cotidiana", mas o teatro com sua prodigiosa liberdade nos permite vivenciar esta realidade — um jogo cômico talvez "mais real" do que este mundo de convenções em que vivemos.